Conferência geral de 2028 será realizada simultaneamente nos Estados Unidos e no Zimbábue para ampliar a inclusão de delegados internacionais
Pela primeira vez na trajetória da denominação, a Igreja Metodista Unida (UMC) realizará sua Conferência Geral em duas sedes simultâneas. O evento, que representa a instância máxima de deliberação da instituição, ocorrerá em Minneapolis, nos Estados Unidos, e em Harare, no Zimbábue, conforme reportado pelo site Christianity Daily.
A decisão da Comissão sobre a Conferência Geral visa superar barreiras logísticas e restrições de visto que historicamente impediram a presença de delegados africanos em solo norte-americano. A escolha de Harare baseia-se na força do corpo de fiéis na região e em políticas de imigração mais acessíveis para representantes de países vizinhos.
Logística e contexto global da denominação
O formato operacional permitirá que representantes nos dois continentes deliberem e conduzam os negócios da igreja em tempo real. Sobre o planejamento minucioso para viabilizar a iniciativa, Emily Allen, secretária interina da Conferência Geral, destacou o empenho da equipe. “O trabalho árduo realizado pelos funcionários e pela comissão para pesquisar e revisar possibilidades em múltiplos continentes foi fundamental para escolher o local final.”
A mudança de cenário ocorre em um momento de transformação demográfica na UMC. Enquanto a denominação enfrenta um declínio de membros e congregações nos Estados Unidos nas últimas décadas, a presença no continente africano segue em expansão.
Divergências teológicas e autonomia regional
Além do desafio logístico, a igreja lida com tensões teológicas significativas. Após a Conferência Geral de 2024, que removeu restrições sobre bênçãos de casamentos homoafetivos e a ordenação de clero LGBTQIA+, as divergências ficaram evidentes, com lideranças africanas reafirmando posições tradicionais.
Em resposta, a UMC aprovou uma emenda em novembro de 2025 que concede às conferências regionais autoridade para modificar partes do Livro de Disciplina. A medida permite que igrejas africanas mantenham seus ensinamentos tradicionais sobre ética sexual, garantindo a permanência dentro da estrutura da denominação.
