Crescimento de denominações conservadoras é visto como desafio direto ao projeto social cubano após décadas de restrições religiosas no país
O analista oficialista Iramis Rosique Cárdenas, integrante da revista digital La Tizza, afirmou que o fortalecimento das igrejas evangélicas conservadoras desde a década de 1990 representa o maior adversário interno do projeto social de Cuba. A análise, repercutida pelo portal Evangélico Digital, associa o crescimento dessas denominações a uma postura política alinhada à direita.
Segundo o articulista, o impacto desse segmento foi determinante para barrar pautas do governo, incluindo o programa de educação sexual aprovado em 2021 e diversos pontos do projeto de Constituição de 2018. Rosique argumenta que tais grupos formaram uma resistência organizada contra o casamento igualitário e o Código das Famílias.
Repressão e condenações judiciais
A tensão entre o regime e os líderes religiosos ganhou contornos práticos com a condenação de Anna Bensi, criadora de conteúdo bautista de 21 anos, e sua mãe, Caridad Silvente. Ambas foram sentenciadas a dois anos de limitação de liberdade após um conflito com um agente do Ministério do Interior, em um processo amplamente criticado por organizações cristãs.
Embora há desejos de fazer dano sobre a vida de Anna e de Cari, te rogamos que sejas tu quem tome a última palavra.
O episódio mobilizou diversos grupos religiosos, que realizaram orações em frente ao tribunal durante o julgamento. A postura de apoio, segundo instituições como a Convencião Batista de Cuba Occidental e as Asambleas de Dios, baseia-se no direito legítimo à liberdade de expressão e consciência, rejeitando a criminalização de suas convicções.
Histórico de hostilidades
O cenário atual reflete uma longa trajetória de atritos entre o Estado cubano e instituições religiosas. Dados da organização Solidaridad Cristiana Mundial (CSW) apontam que, apenas em 2024, foram registrados 624 incidentes contra a liberdade religiosa na ilha. A investida contra lideranças cristãs, no entanto, não é vista por essas igrejas como um movimento de tomada de poder, mas como a defesa do direito de viver conforme a própria consciência.
