CONIB lança atlas digital para combater antissemitismo velado no Brasil

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Nova plataforma da CONIB oferece ferramentas para identificar e confrontar o antissemitismo em diversas linguagens digitais e sociais

A Confederação Israelita do Brasil (CONIB) lançou, na quarta-feira (02), na Unibes Cultural, em São Paulo, a iniciativa Decodificando o Antissemitismo. O projeto, conforme reportado pelo portal Guiame, apresenta um atlas que investiga a persistência de tropos e estereótipos que se adaptam a novas mídias e contextos históricos.

A obra, assinada por Anelise Fróes, Matheus Alexandre e Bruno Cardoni Ruffier, com prefácio de Maria Luiza Tucci Carneiro, detalha como narrativas de ódio são atualizadas em imagens, memes e teorias da conspiração. A doutora em Antropologia Social e coautora da publicação, Anelise Fróes, explica a necessidade de vigilância constante sobre esses códigos.

O Atlas procura oferecer ferramentas para que as pessoas consigam reconhecer o antissemitismo mesmo quando ele não aparece de maneira explícita. Muitos desses códigos têm raízes muito antigas, mas são continuamente atualizados e incorporados a novas linguagens e contextos. Conhecer essa trajetória é fundamental para conseguir identificá-los no presente.

Tecnologia como aliada no enfrentamento

O pilar central da iniciativa é a Plataforma de Combate ao Antissemitismo, disponível para acesso público. O portal centraliza mais de 2 mil imagens, relatórios, videoaulas, podcasts e um canal oficial para denúncias, visando tanto o público acadêmico quanto a sociedade em geral.

Rony Vainzof, diretor do Projeto Nacional de Enfrentamento ao Antissemitismo da CONIB, aponta a complexidade das novas manifestações. “Esse conteúdo antissemita pode ser traduzido e revelado por meio de memes, entre os exemplos estão o uso de uma caixinha de suco para fazer referência a judeus ou de um emoji com cifrão para reproduzir o antigo estereótipo que associa judeus à avareza”.

A urgência do projeto é respaldada pelo Relatório Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025, que indica que 80,9% das ocorrências mapeadas ocorrem em ambientes digitais. Com essa estrutura, Andrea Vainer reforça o objetivo da instituição. “Queremos transformar conhecimento em prevenção e enfrentamento. Quanto mais pessoas estiverem preparadas para identificar essas manifestações, inclusive aquelas que aparecem de maneira disfarçada ou aparentemente normalizada, maior será nossa capacidade de impedir que o preconceito avance”.

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