A reconstrução das áreas devastadas pelos sismos na Venezuela exige uma resposta de longo prazo focada na proteção da infância e no apoio psicossocial
Passados dois meses desde que terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a costa central da Venezuela, o país contabiliza mais de 6.500 mortes e milhares de desabrigados. Conforme dados publicados pelo portal Evangélico Digital, a operação de socorro liderada por organizações como a World Vision foca agora em etapas essenciais de reconstrução, que são descritas por especialistas como uma verdadeira maratona de persistência e recursos.
A resposta imediata à tragédia contou com o protagonismo de líderes comunitários e eclesiásticos. Mesmo afetados diretamente pelos danos estruturais, membros de diversas igrejas locais organizaram sistemas de auxílio, desde a distribuição de suprimentos até o mapeamento de necessidades em áreas de difícil acesso.
Este não é um sprint, é uma maratona, o que tardou décadas em ser construído agora vai levar décadas para ser reerguido.
A diretora regional de incidência da World Vision na América Latina e no Caribe, Mishelle Mitchell, ressaltou a importância da atuação local. A estratégia da organização inclui o cuidado direto com crianças, que enfrentam riscos elevados de vulnerabilidade, exploração e falta de acesso a serviços básicos como educação e saneamento.
Desafios na proteção da infância e infraestrutura
Atualmente, o cenário nas zonas afetadas ainda é crítico. Grande parte da população vive em tendas e depende de cozinhas comunitárias, visto que a escassez de água potável permanece um problema central. A falta de saneamento básico impõe riscos adicionais à saúde dos sobreviventes.
Um dos pilares do trabalho da organização é o suporte psicológico através de espaços amigáveis para a infância. Esses locais funcionam como centros itinerantes de contenção emocional, utilizando atividades lúdicas para mitigar o trauma da perda de familiares e ambientes de convivência.
- Mais de 27.000 crianças foram atendidas em espaços de proteção nos últimos meses.
- Apoio integrado focado em evitar o trabalho infantil e situações de abuso.
- Provisão de kits de higiene e alimentação via parcerias locais.
O diretor regional da World Vision, Joao Diniz, enfatiza que a sustentabilidade do auxílio depende também da reativação econômica local. A destruição de infraestruturas turísticas e comerciais compromete a subsistência das famílias, tornando o investimento em meios de vida uma prioridade estratégica para os próximos meses.
