Relatório aponta que o sistema de admissão de refugiados dos Estados Unidos praticamente interrompeu o acolhimento de minorias religiosas em 2026
Os Estados Unidos estão prestes a encerrar o ano fiscal de 2026 sem receber nenhum refugiado cristão que sofra perseguição nos países mais críticos do mundo. A constatação é parte do relatório “State of the Golden Door: Evaluating Refugee Resettlement & Asylum in Light of Global Christian Persecution”, produzido pelas organizações Open Doors US e World Relief.
De acordo com o material divulgado na Christianity Daily, o volume de admissões provenientes das 50 nações listadas na World Watch List da Open Doors caiu para zero durante este ciclo fiscal. Este cenário pode configurar a primeira vez, desde a criação do Programa de Admissões de Refugiados dos EUA, que nenhum cristão perseguido desses países foi reassentado no país.
Impacto nas políticas de asilo e fronteira
O estudo destaca que a interrupção não se restringe apenas aos cristãos, mas atinge pessoas de outras fés. Dos três refugiados reassentados de países da lista, nenhum pertencia a minorias religiosas. O documento critica diretrizes administrativas que endureceram o controle na fronteira sul, incluindo ordens executivas que suspenderam o reassentamento e autorizaram a remoção de requerentes de asilo.
As taxas de aprovação para asilo também sofreram uma redução drástica. O levantamento aponta que o índice, que era de 58% no ano fiscal de 2023, despencou para 10% em 2026.
Desafios da perseguição global
Estima-se que 388 milhões de cristãos ao redor do mundo enfrentem algum tipo de discriminação ou perseguição, o que equivale a um em cada sete fiéis. Ryan Brown, CEO da Open Doors US, ressaltou a intensidade do problema.
“Esta pesquisa trata especificamente daqueles indivíduos que têm um temor razoável por sua vida e sua segurança devido à sua fé cristã e identidade.”
Brown enfatizou a necessidade de distinguir a migração por questões de segurança das pressões econômicas. O executivo apontou ainda para o agravamento da violência na África Subsaariana e o aumento da vigilância digital contra comunidades religiosas em países como a China.
