Igrejas domésticas crescem apesar da perseguição intensificada, aponta relatório da ICC

Mais lidas

Igrejas domésticas crescem apesar da perseguição intensificada, aponta relatório da ICC

Comunidades cristãs continuam a se expandir em alguns dos ambientes mais perigosos do mundo, mesmo com um número estimado de 380 milhões de fiéis sofrendo perseguição anualmente por causa de sua fé. Esta é a principal conclusão de um novo relatório da International Christian Concern (ICC), uma organização de vigilância sediada nos EUA.

O “Global Persecution Index 2026” da ICC identificou que as igrejas estão atraindo novos membros em países onde a prática religiosa pode levar à prisão, detenção ou até mesmo à morte. O documento destaca o papel das congregações clandestinas e das redes digitais que permitem aos cristãos adorar fora do controle governamental direto.

Irã: um exemplo de crescimento subterrâneo

O Irã se destaca como um dos exemplos mais claros. O relatório descreve o movimento de igrejas domésticas no país como um dos de crescimento mais rápido globalmente. Esse avanço é impulsionado por redes secretas e evangelismo online, ocorrendo apesar da prisão, detenção e, em alguns casos, execução de convertidos do Islã sob leis de blasfêmia e segurança nacional.

Vigilância e resistência na China

Na China, os cristãos também se reúnem em residências particulares e através de reuniões online criptografadas. Essa prática ocorre mesmo diante de uma extensa vigilância governamental. A ICC alerta, contudo, que esse crescimento coexiste com a ascensão do nacionalismo religioso, identificado pela organização como um fator significativo no declínio da liberdade religiosa.

Índia e Paquistão: fé em meio a leis restritivas

Na Índia, organizações hindus militantes, associadas ao partido governante Bharatiya Janata, têm atacado minorias cristãs e muçulmanas. Paralelamente, diversos governos estaduais implementaram leis que restringem a conversão religiosa. De acordo com o relatório, leis anticconversão já estão em vigor em 13 dos 28 estados indianos.

A ICC observou que, embora tribunais não tenham condenado cristãos por forçar conversões, fiéis frequentemente são assediados e detidos sob mera suspeita de irregularidades. No ano encerrado em julho de 2025, a organização registrou mais de 1.100 cristãos deslocados de suas casas na Índia e 276 casos relatados de abuso físico ou psicológico.

“Ainda assim, em meio à repressão, a fé continua a crescer. Relatórios de redes clandestinas na Índia e no Paquistão indicam aumentos constantes em conversões e discipulado.”

Coreia do Norte: operando na escuridão

Na Coreia do Norte, pequenas redes cristãs subterrâneas operam “totalmente na escuridão”, segundo o relatório. Apesar disso, continuam a adorar, transmitir programas de rádio cristãos e contrabandear materiais religiosos para o país. O documento afirma que a Coreia do Norte permanece entre os países mais severos na perseguição aos cristãos e à vida religiosa.

O regime de Kim adota uma política de tolerância zero contra qualquer sistema de crenças que fuja da ideologia estatal, encarando o cristianismo não como fé, mas como uma subversão externa perigosa. No entanto, a igreja clandestina persiste.

África: o epicentro do terrorismo e da resiliência cristã

Quase metade de todas as mortes relacionadas ao terrorismo global ocorre na África, de acordo com o Institute for Economics and Peace. Grupos como Boko Haram, Estado Islâmico da Província da África Ocidental e al-Shabab permanecem ativos em países como Nigéria, na região do Sahel, no Chifre da África e em Moçambique.

A ICC documentou mais de 500 cristãos mortos e quase 500 ataques a igrejas na Nigéria durante o ano encerrado em julho de 2025. Apesar da violência, congregações continuaram a reconstruir edifícios religiosos incendiados e a realizar cultos. Em 31 de outubro de 2025, o governo dos EUA designou a Nigéria como um País de Preocupação Particular, uma classificação usada pelo Departamento de Estado para governos considerados responsáveis por graves violações da liberdade religiosa.

América Latina e Eritreia: restrições e detenções severas

Restrições semelhantes foram documentadas na América Latina. O governo da Nicarágua prendeu padres, expulsou bispos e fechou universidades mantidas pela igreja. Em Cuba, as autoridades determinam quais congregações podem operar legalmente. O grupo de defesa Christian Solidarity Worldwide, com sede no Reino Unido, registrou 1.898 ações governamentais contra comunidades religiosas em Cuba em 2024, segundo o relatório.

Na Eritreia, as autoridades detêm cristãos em contêineres de transporte e prisões secretas, informa a ICC. Pelo menos oito fiéis teriam permanecido presos por períodos entre 18 e 21 anos unicamente por praticarem sua fé. O índice da ICC examina 22 países, 13 dos quais foram designados como Países de Preocupação Particular.

Ads

Mais notícias

Ads
Ads

Últimas Notícias