Acordo para reabrir Estreito de Hormuz com Irã gera ceticismo em autoridades americanas e legisladores
Um novo acordo estratégico com o Irã, anunciado pelo Presidente Donald Trump, promete a reabertura do Estreito de Hormuz, uma via marítima vital. A Casa Branca alega que o memorando de entendimento (MOU) exigirá do Irã a eliminação de seu programa nuclear. No entanto, a falta de detalhes sobre o pacto tem levantado questionamentos e apreensões entre figuras importantes da administração e do Congresso dos Estados Unidos.
Em discurso, o presidente Trump celebrou a aliança com os Emirados Árabes Unidos e previu um futuro mais promissor para a região, afirmando que o Estreito de Hormuz estaria totalmente operacional até sexta-feira. Ele declarou que “os navios já estão começando a se mover agora. Vamos ter tudo completamente aberto até sexta-feira.”. Trump também mencionou que o acordo seria enviado ao Congresso para revisão, ideia que, segundo ele, surgiu posteriormente. “Eu gosto da ideia”, afirmou o presidente.
Apesar do otimismo manifestado publicamente, relatórios indicam que altos funcionários da administração Trump, incluindo o Secretário de Estado Marco Rubio, o Secretário de Guerra Pete Hegseth e o Diretor da CIA John Ratcliffe, expressaram ceticismo em relação aos termos do MOU. As preocupações se concentram na probabilidade de o Irã cumprir os compromissos, especialmente no que tange à desativação de seu programa nuclear, com avaliações de inteligência levantando dúvidas sobre a adesão de Teerã.
O general reformado do Exército dos EUA, Jack Keane, defendeu a divulgação do documento para acabar com as especulações. “Vamos liberá-lo e deixar as pessoas verem o que há lá fora para que paremos de debater algo que nenhum de nós viu”, declarou Keane em entrevista à Fox News.
No Capitólio, a reação foi de otimismo cauteloso. O senador Lindsey Graham (R-Carolina do Sul) expressou confiança de que Trump “não assinará um mau acordo” e que a liberação do MOU seria útil para análise. Contudo, a desconfiança em relação ao Irã persiste. “O Irã é governado por fanáticos religiosos. Eles aprendem a mentir antes de aprender a falar, e você não pode confiar neles”, comentou o senador John Kennedy (R-Louisiana).
Em paralelo, o Irã apresentou sua própria perspectiva, condicionando um acordo duradouro ao fim da ofensiva israelense contra o Hezbollah no Líbano. O Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou: “Do nosso ponto de vista, um lado é os Estados Unidos e Israel. Do outro lado, está o Irã e o Hezbollah. Sem a retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam durante esta guerra, a guerra não terminou completamente.”. Em resposta, o Embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, postou que “Israel não precisa da permissão do Irã para se defender”.
O Presidente Trump também gerou surpresa ao criticar publicamente a campanha de Israel contra o Hezbollah, sugerindo que Israel “está lutando contra o Hezbollah há muito tempo e muitas pessoas estão morrendo”. Ele aconselhou Israel a “deixar a Síria cuidar do Hezbollah, porque, para ser honesto, acho que eles fazem um trabalho melhor nisso”.
Enquanto o Congresso aguarda os detalhes do MOU, o debate sobre a confiabilidade do Irã e se o acordo promovará estabilidade regional ou apenas adiará, ou até mesmo ampliará, um futuro conflito, tende a se intensificar.
