A inspiradora jornada para estampar ‘Em Deus nós Confiamos’ nas cédulas de dólar
A frase ‘In God We Trust’ (“Em Deus nós Confiamos”) nas notas de dólar é o resultado de uma campanha liderada por Matthew Rothert Sr., empresário do Arkansas, que via uma iniciativa individual com potencial para gerar impacto nacional. A trajetória de Rothert, que era presbiteriano, fabricante de móveis e colecionador de moedas, começou após uma experiência em um culto em 21 de junho de 1953.
Segundo sua filha, Alice Rothert Nelson, a inspiração divina o motivou a defender a inclusão da expressão nas cédulas, uma vez que a inscrição já constava nas moedas americanas. “O prato da coleta estava circulando, e ele sentiu que Deus lhe dizia que as moedas tinham a inscrição ‘In God We Trust’, mas eram as notas que davam a volta ao mundo”, relatou Alice.
A expressão possui raízes históricas nos Estados Unidos, tendo sido utilizada em moedas desde a Guerra Civil Americana. Em 1861, o pastor batista Mark Richards Watkinson solicitou ao então secretário do Tesouro, Salmon P. Chase, o reconhecimento público da fé em Deus em meio aos desafios do conflito. Essa iniciativa obteve apoio federal e resultou na aprovação de leis que permitiram a inclusão da frase nas moedas a partir de 1864.
Décadas depois, durante a Guerra Fria, Rothert intensificou sua defesa pela impressão do lema nas cédulas. Relatos familiares indicam que ele dedicou tempo considerável à campanha, enviando cartas a autoridades, realizando discursos e buscando apoio político, inclusive ao presidente Dwight Eisenhower e ao secretário do Tesouro, George W. Humphrey.
Em uma entrevista em 1987, Rothert expressou que acreditava estar cumprindo uma missão. “Parecia que o Senhor me dizia para fazer isso. Ele colocou a ideia tão fortemente em minha mente que trabalhei nela até alcançar meu objetivo”, declarou.
A mobilização contou com o endosso de vários parlamentares, com Rothert mantendo contato com figuras influentes como os senadores Mike Monroney, John L. McClellan e J. William Fulbright, além do deputado Oren Harris. Em janeiro de 1955, um projeto de lei para incluir a frase nas cédulas foi apresentado ao Congresso, avançando rapidamente para a mesa do presidente Eisenhower em julho do mesmo ano.
A implementação foi facilitada por otimizações nos processos de impressão governamental, minimizando os custos da alteração. A frase começou a aparecer oficialmente nas cédulas de um dólar em 1º de outubro de 1957, um ano após o Congresso ter aprovado unanimemente sua adoção como lema nacional dos Estados Unidos.
Hope Rothert Taft, outra filha de Rothert, descreveu a sequência de eventos como um resultado da providência divina. “Dá para ver como tudo se encaixou perfeitamente para que isso acontecesse”, afirmou, conforme informações do The Christian Post, usando a história do pai como exemplo da capacidade de pessoas comuns influenciarem a sociedade.
Documentos familiares revelam que Rothert via a iniciativa como uma forma de disseminar uma mensagem religiosa internacionalmente, especialmente em países sob regimes comunistas, onde as cédulas circulavam. Ele atribuía o sucesso da campanha a Deus, declarando em entrevista ao National Enquirer: “Estou imensamente orgulhoso do papel que desempenhei, mas dou todo o crédito a Deus, porque Ele colocou isso em minha mente”.
Nos últimos anos de vida, Rothert demonstrou preocupação com o que percebia como um distanciamento dos valores religiosos nos Estados Unidos. Ele faleceu em 1989, mas, segundo seu filho Matthew Rothert Jr., acreditava que a gratidão a Deus deveria permanecer parte da identidade nacional americana. A família considera que o legado de Rothert perdura na inscrição que continua presente nas cédulas em circulação.
