Medida inédita no Reino Unido proíbe igreja de realizar pregação em vias públicas e gera debate sobre liberdade religiosa
Uma decisão administrativa que impede uma igreja de conduzir pregações em locais públicos está sendo contestada judicialmente no Reino Unido. A Bread of Life Community Church, situada em Colchester, no condado de Essex, é o centro da disputa legal após autoridades locais emitirem uma Notificação de Proteção à Comunidade (CPN).
Segundo informações divulgadas pelo Christian Legal Centre, este instrumento legal, usualmente direcionado a indivíduos, foi aplicado à igreja como instituição, o que configura um caso incomum. A notificação alega que mensagens religiosas com referências ao inferno, aliadas ao uso de equipamentos de som, estariam provocando “assédio, alarme e angústia” entre os moradores locais.
Agentes públicos teriam classificado a prática de evangelização como “irrazoável” e com “efeito prejudicial na comunidade”, tentando orientar os envolvidos. A igreja, no entanto, refuta as acusações, declarando que todas as atividades de evangelização são transmitidas ao vivo e gravadas, sem evidências de comportamento ameaçador ou assediador.
O pastor Stephen Clayden afirmou que a congregação tem realizado pregações públicas de maneira pacífica e legal há seis anos. “Pregamos a Bíblia de forma legal e pacífica em Colchester há seis anos. Não prejudicamos ninguém. Não seremos intimidados a abandonar a Grande Comissão”, declarou.
Ele enfatizou a intenção da igreja de prosseguir com suas atividades. “Respeitamos a lei. Mas não podemos e não vamos parar de pregar o Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum conselho tem autoridade para silenciar a Igreja”, complementou.
A Bread of Life Community Church, com o suporte jurídico do Christian Legal Centre, apresentou um recurso contestando a notificação. No pedido, a igreja argumenta que a medida é ilegal e deve ser anulada completamente.
O caso tem previsão de análise no Tribunal de Magistrados de Colchester na quinta-feira, 01 de maio. Advogados envolvidos na questão avaliam que a decisão judicial poderá influenciar discussões futuras sobre liberdade religiosa e de expressão no país.
