Trump intensifica ameaças contra o Irã prometendo ataques diretos à infraestrutura após resgate de aviador americano
O presidente Donald Trump elevou o tom das ameaças contra o Irã neste domingo, um dia após forças americanas realizarem o resgate de um aviador cujo avião caiu em território hostil após ter sido abatido dias antes pelas forças iranianas. O Irã, por sua vez, não demonstrou sinais de recuo, atingindo alvos econômicos e de infraestrutura em países vizinhos do Golfo Pérsico, enquanto Trump exigia a reabertura do Estreito de Hormuz.
Em uma postagem neste domingo, Trump ampliou ameaças anteriores, prometendo ataques contra usinas de energia e pontes iranianas. Ele declarou que os iranianos “viveriam no inferno” se o estreito, vital para o tráfego marítimo, não for aberto até terça-feira. O aviador americano resgatado, que ficou ferido, mas em condição estável, foi alvo de uma operação de busca e salvamento após a queda de um caça F-15E Strike Eagle na sexta-feira. Um segundo tripulante já havia sido resgatado anteriormente. A Associated Press informou que a extração do militar ocorreu após uma busca e salvamento, em meio a uma promessa iraniana de recompensa para quem entregasse um “piloto inimigo”.
O caça americano foi o primeiro a cair em território iraniano desde o início da guerra, que teve início em 28 de fevereiro com ataques americanos e israelenses ao Irã. Ambos os lados têm ameaçado e atingido alvos civis, gerando alertas sobre possíveis crimes de guerra. O conflito já causou milhares de mortes, abalou mercados globais, interrompeu rotas de transporte cruciais e elevou os preços dos combustíveis.
Irã responde com ataques a infraestrutura e ameaça mais retaliações
Enquanto o Irã mantém controle sobre o Estreito de Hormuz, Trump havia ameaçado anteriormente liberar “todo o inferno” caso o estreito não fosse aberto até segunda-feira. Essas ameaças foram estendidas à medida que mediadores reivindicavam progresso em direção ao fim da guerra. As novas ameaças ocorreram após Trump afirmar na semana passada que os EUA haviam “decimado” o Irã e que finalizariam a guerra “muito rápido”. Dois dias depois, o Irã derrubou dois aviões militares americanos, evidenciando os perigos contínuos da campanha de bombardeio e a capacidade militar iraniana de revidar. O outro avião abatido foi um A-10 de ataque americano.
A TV estatal iraniana exibiu um vídeo que, segundo a emissora, mostrava partes de aeronaves americanas abatidas pelas forças iranianas, juntamente com uma foto de densa fumaça negra subindo ao céu. O Irã alegou ter abatido um avião de transporte americano e dois helicópteros que faziam parte da operação de resgate. No entanto, um oficial de inteligência regional, informado sobre a missão, disse à Associated Press que os EUA explodiram dois aviões de transporte devido a um mau funcionamento técnico, o que forçou a utilização de aeronaves adicionais para completar o resgate. O comando militar conjunto do Irã declarou no domingo que quatro aeronaves americanas foram destruídas durante a operação de resgate.
“Repetimos mais uma vez: se vocês cometerem agressão novamente e atingirem instalações civis, nossas respostas serão mais contundentes”, declarou um porta-voz, cujos comentários foram divulgados pela agência de notícias IRNA. Em resposta às renovadas ameaças de Trump, o general Ali Abdollahi Aliabadi, do comando militar conjunto do país, afirmou no sábado que “as portas do inferno serão abertas para vocês” se a infraestrutura do Irã for atacada. Ele também ameaçou alvos de infraestrutura militar dos EUA na região.
Ataques iranianos em países do Golfo e o papel de mediadores
Os ataques iranianos em três países do Golfo resultaram em danos significativos. No Kuwait, drones iranianos causaram prejuízos em usinas de energia e em uma planta petroquímica, além de colocar uma estação de dessalinização de água fora de serviço, segundo o Ministério da Eletricidade. Não houve feridos reportados. No Bahrein, um ataque de drone provocou um incêndio em instalações de armazenamento de uma companhia nacional de petróleo e em uma planta petroquímica estatal, informou a agência oficial de notícias do reino. Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades responderam a incêndios em uma planta petroquímica em Ruwais, que disseram ter sido causados por destroços interceptados, interrompendo as operações.
Esses ataques ocorreram um dia após Israel ter atingido uma planta petroquímica no Irã, que, segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, gerava receita para financiar a guerra. A indústria petroquímica é um setor chave em muitos estados do Golfo, convertendo petróleo e gás em produtos como plásticos, polímeros e fertilizantes, gerando bilhões em receita de exportação. Em meio à escalada de tensões, esforços de mediação para um cessar-fogo estão em andamento. O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão informou que seus esforços para mediar um cessar-fogo estão “no caminho certo”, após Islamabad ter anunciado na semana passada que sediaria conversas entre EUA e Irã. Mediadores do Paquistão, Turquia e Egito trabalham para levar os dois países à mesa de negociações, segundo oficiais regionais. O acordo proposto inclui a cessação das hostilidades para permitir um acordo diplomático.
O conflito já resultou em mais de 1.900 mortes no Irã, mais de duas dezenas de mortos em estados do Golfo Árabe e na Cisjordânia ocupada, 19 mortos em Israel e 13 militares americanos. No Líbano, mais de 1.400 pessoas morreram e mais de 1 milhão foram deslocadas, com dez soldados israelenses mortos.
