A compreensão simbólica do “egito” na bíblia e a prefiguração do sacrifício de cristo na antiga páscoa judaica são decifradas.
A escravidão do povo de Israel no Egito transcende uma mera narrativa histórica, assumindo a representação das diversas amarras que ainda aprisionam indivíduos. Essa complexa relação entre o cativeiro antigo e as prisões contemporâneas é desvendada em profundidade pelo pastor Joel Engel, que detalha a íntima ligação entre a Páscoa judaica e o sacrifício de Cristo na cruz, conforme sua explicação.
O pastor Joel Engel enfatiza que o “Egito” na simbologia bíblica é mais do que um local geográfico. “O Egito não é apenas uma geografia. É uma situação”, declarou.
Questionando as limitações e prisões pessoais, o líder religioso provoca a reflexão sobre o que impede a realização ou a libertação de cada um. “Qual é o seu Egito? O que te prende? O que te limita? O que você não conseguiu realizar até hoje? O que você não conseguiu se libertar até hoje? É o teu Egito”, afirmou Engel. Ele esclarece que essa condição de cativeiro pode se manifestar em múltiplas esferas da existência:
- Na dimensão física: o excesso de dedicação ao trabalho, a carência de repouso e a presença de enfermidades. O pastor exemplifica: “No Egito, fisicamente, eles não tinham tempo para descansar. Isso é o Egito.”
- No aspecto emocional: conflitos dentro do ambiente familiar, sentimentos de dor no coração e crises domésticas.
- Na vida financeira: a persistente dificuldade em sair das dívidas, com uma sensação de que o dinheiro “nunca tem dinheiro, junta como quem coloca num saco furado”, resumiu.
- Na esfera espiritual: a incapacidade de sentir a presença divina, de receber os dons do Espírito Santo ou de retomar a servir a Deus, listou.
Engel adverte que, mesmo após a saída do Egito físico, muitos não conseguiram remover o “Egito do coração”. Ele explica: “Egito é tudo aquilo que te vicia. É trabalhar para um faraó, para o mundo, e ser útil para alguém que nunca vai te valorizar”.
O sangue do cordeiro e a proteção divina
A saída do Egito, segundo Joel Engel, está intrinsecamente ligada à celebração da Páscoa e ao significado do sangue do cordeiro, aplicado nas portas das residências no livro de Êxodo. Este ato simbolizava separação, proteção e o estabelecimento de uma aliança com o Criador. O sinal do sangue representava uma casa santificada. “Aquele sangue é o sinal de que ali há uma casa santificada”, disse. Ele reforça que “o cordeiro separava a casa da destruição. O sangue do cordeiro protege a família. O sangue do cordeiro marca quem pertence a Deus”.
Os quatro cálices da páscoa e a obra de cristo
A tradição judaica da Páscoa, ou Pessach, inclui a ingestão de quatro cálices de vinho durante a refeição, rememorando as quatro promessas divinas feitas ao povo de Israel em Êxodo 6:6-7: retirar da escravidão, libertar, redimir e tomar como povo. Cada cálice, portanto, simboliza uma etapa da libertação: santificação, libertação, redenção e comunhão com Deus.
Para o pastor Joel Engel, essa tradição é uma prefiguração profética da obra integral de Jesus Cristo.
O primeiro cálice, da santificação, representa a separação. “Você foi salvo, santificado, separado para Deus”, declarou Engel, destacando a singularidade do indivíduo perante Deus. “Você não é qualquer coisa. Você é alguém separado para Deus”, completou. O segundo cálice, da libertação, baseia-se na promessa de Deus de “tirar-vos debaixo das cargas dos egípcios”, simbolizando a quebra de amarras, algemas, impossibilidades, miséria, doenças e opressão. “O cordeiro quebra todas as amarras, todas as algemas, toda impossibilidade, toda miséria, toda doença, toda opressão”, disse o pastor. Ele reitera que “o segundo cálice é libertação. Deus diz: vou tirar vocês da escravidão e das cargas que estão carregando”.
O terceiro cálice, da redenção, alude ao resgate, restauração e à intervenção divina em áreas como provisão e sustento. “O terceiro cálice vai me trazer a redenção, vai me tirar da miséria, vai me tirar da tristeza, vai me tirar das doenças”, declarou Engel. O quarto cálice, por fim, aponta para o reino, a presença de Deus e a consumação da aliança, representando a vitória completa e a nova aliança selada. “O quarto cálice fala do reino”, afirmou. “Ele representa a consumação, a vitória completa, a nova aliança selada, a união definitiva entre Deus e seu povo”.
Engel conecta os quatro cálices à ação de Cristo, que “pegou toda a Páscoa de Êxodo, os quatro cálices, o cordeiro, e tomou cada um deles”. O pastor lembra que, ao chegar ao quarto cálice, Jesus disse: “Desta hora em diante, não beberei deste fruto até aquele dia em que beba novo convosco no reino do meu Pai”.
O custo do quarto cálice: o sacrifício de jesus
O quarto cálice tem uma ligação direta com o sofrimento e o sacrifício de Jesus na cruz, um preço elevado que o transformaria no Cordeiro, entregando sua própria vida, conforme Joel Engel. O pregador revela que no Getsêmani, Cristo já antevia o peso dessa entrega. “Ele começou a ver o preço, começou a ver os pregos, os espinhos, tudo o que iria custar para dar ao seu povo os quatro cálices”, disse.
A cruz é apontada como o momento da plena conclusão dessa obra. Ao mencionar a cena em que Jesus recebe o vinagre, Joel interpretou esse ato como a consumação final do cálice que havia sido deixado em aberto. “Quando Jesus toma, Ele diz: ‘Está consumado’. Completou o quarto cálice”, declarou. Essa revelação, segundo Engel, solidifica que a salvação é parte de um plano eterno de Deus, que preparou um Cordeiro no céu para santificar, libertar e redimir a humanidade. “Essa linguagem de trazer um cordeiro é linguagem de aliança, é mensagem de aproximação, é casamento”, concluiu.
