Sarah Mullally é empossada como a primeira mulher a liderar a Igreja Anglicana, um marco histórico para a Comunhão
Sarah Mullally foi oficialmente empossada como arcebispa de Canterbury em uma cerimônia realizada na Catedral de Canterbury na quarta-feira, 26 de março. Este acontecimento a consagra como a primeira mulher a ocupar a posição mais alta na Igreja da Inglaterra, tornando-se também uma das figuras de maior proeminência dentro da Comunhão Anglicana global.
O início formal de seu ministério público marcou a cerimônia, que seguiu sua investidura nas funções legais do cargo em janeiro. Em seu sermão, Mullally, aos 64 anos, expressou sua surpresa diante do caminho percorrido desde sua juventude. “A Sarah adolescente que depositou sua fé em Deus jamais teria imaginado o futuro que a aguardava, e certamente não o ministério para o qual agora sou chamada”, declarou.
A nova arcebispa também abordou a ausência de membros da comunidade anglicana mundial, impedidos de comparecer devido a conflitos internacionais. “Oramos por eles sem cessar, e por todos aqueles que estão em áreas devastadas pela guerra no mundo, na Ucrânia, no Sudão e em Mianmar, para que sintam a presença de Deus, assim como oramos para que a paz prevaleça”, disse Mullally.
Ela enfatizou a importância da fé diante das adversidades. “Somos chamados a confiar que nada é impossível para Deus, mesmo quando vemos tantas coisas no mundo que fazem a esperança parecer impossível”. Mullally ressaltou que a esperança reside na jornada conjunta com Deus e na força divina. “Não suportamos o peso dessa vocação com nossas próprias forças, mas somente com a graça e o poder de Deus”, afirmou.
Concluindo sua reflexão, a arcebispa acrescentou: “Caminhamos com Deus, confiando que Deus caminha conosco, confiando que em tudo o que enfrentamos — na tristeza e nos desafios, assim como na alegria e no deleite — não caminhamos sozinhos. Há esperança, porque somos convidados a confiar que Deus fará algo novo”.
Antes de dedicar-se ao ministério religioso, Mullally teve uma carreira como enfermeira, com experiência no cuidado a pacientes oncológicos. Sua trajetória eclesiástica inclui a ordenação como sacerdotisa em 2001 e a atuação como bispa de Londres a partir de 2018. Sua eleição para o posto de arcebispa ocorreu em outubro do ano anterior, sucedendo Justin Welby, que encerrou seu mandato em janeiro.
A ascensão de Mullally ao cargo máximo gerou manifestações dentro da Comunhão Anglicana, especialmente de setores conservadores, que já articulam a nomeação de outro arcebispo. A Conferência Global de Futuros Anglicanos foi uma das entidades a expressar críticas.
“A Igreja da Inglaterra escolheu um líder que irá dividir ainda mais uma Comunhão já fragmentada”, afirmou Laurent Mbanda, presidente do conselho de primazes da organização, segundo o The Christian Post. Ele completou que, devido à falha de sucessivos Arcebispos de Canterbury em zelar pela fé, o cargo não pode mais servir como um líder crível para os anglicanos nem como um centro de unidade.
