Arcebispo de Luxemburgo aponta risco de “morte” para Igreja Católica sem ordenação feminina
A Igreja Católica pode enfrentar um futuro incerto e até mesmo o declínio se não avançar com a ordenação de mulheres para o sacerdócio, alertou Jean-Claude Hollerich, arcebispo de Luxemburgo. A declaração foi feita durante um simpósio realizado em Bonn, na Alemanha, e reflete uma preocupação crescente sobre a participação feminina no ministério ordenado.
Segundo o jornal The Catholic Herald, Hollerich destacou a dificuldade em imaginar a longevidade da instituição sem que metade de seus fiéis tenha acesso aos ministérios sacramentais. “Não consigo imaginar como uma igreja pode continuar a existir a longo prazo se metade do povo de Deus sofre por não ter acesso ao ministério ordenado”, afirmou.
O arcebispo relatou que, em conversas com mulheres em paróquias, 90% compartilham dessa mesma perspectiva. A legislação atual da Igreja, expressa no Código de Direito Canônico, determina que apenas homens batizados podem receber validamente a sagrada ordenação.
O debate sobre o papel das mulheres na Igreja tem ganhado força nos últimos anos. Recentemente, a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos divulgou um relatório focado na “Participação das mulheres na vida e na liderança da Igreja”. Embora o documento não tenha endossado a ordenação feminina, abriu a discussão para a ampliação de funções não ordenadas.
O relatório indicou que a questão do acesso das mulheres ao diaconato ainda não parece madura para uma decisão definitiva, mas manteve em aberto a continuidade dos estudos sobre o papel feminino na liderança e outras formas de participação. O documento também reconheceu a contribuição significativa das mulheres na vida da Igreja, muitas vezes subestimada, sugerindo caminhos carismáticos que podem abrir novos espaços de participação para os leigos, especialmente para as mulheres.
“Ao lado do caminho sacramental, e distinto dele, existe também um caminho carismático que pode ser frutiferamente trilhado para abrir novos espaços de participação para os fiéis leigos, particularmente para as mulheres.”
Apesar de defender a intensificação do debate, Jean-Claude Hollerich ressaltou que sua posição não é unânime dentro da Igreja e expressou desejo por iniciativas que promovam maior participação feminina nas estruturas existentes. “Meu maior desejo seria que toda a Igreja se alegrasse com isso”, declarou.
As declarações de Hollerich ocorrem em um período de discussões mais amplas sobre possíveis mudanças disciplinares na Igreja. Na semana anterior, Johan Bonny, bispo de Antuérpia, anunciou planos para ordenar homens casados ao sacerdócio até 2028. Bonny argumentou que a questão principal não é mais se a Igreja ordenará homens casados, mas quando e quem o fará, considerando qualquer atraso como uma desculpa para a inação.
