Igreja Metodista Unida manifesta apoio a legislação que flexibiliza cirurgias de redesignação sexual para menores transgêneros nos EUA
Um braço da Igreja Metodista Unida declarou apoio a uma proposta legislativa federal que visa eliminar restrições a procedimentos de mudança de sexo para crianças e adolescentes que se identificam como transgêneros. O bispo Julius C. Trimble, secretário-geral do Conselho Geral de Igreja e Sociedade da denominação, criticou o que chamou de discriminação contra pessoas trans em artigo publicado na segunda-feira (data da publicação original).
Trimble destacou os desafios enfrentados por jovens trans, incluindo assédio escolar, violência e afastamento familiar. Ele também mencionou as dificuldades vivenciadas por adultos trans, como violência sexual e policial, além de ridicularização pública. O bispo condenou legisladores que, segundo ele, promulgam “leis antitrans” que restringem o acesso a cuidados de afirmação de gênero, esportes e uso de pronomes adequados nas escolas.
A posição da Igreja Metodista Unida foi confirmada por Jeffrey Corey, diretor sênior de comunicações do Conselho Geral de Igreja e Sociedade. Ele afirmou ao The Christian Post que o artigo reflete a posição oficial da igreja, embora Corey tenha ressaltado que o conselho não se aprofunda em debates médicos específicos, acreditando que tais decisões devem ser individuais e tomadas em conjunto com profissionais de saúde.
A Declaração de Direitos Transgêneros (Transgender Bill of Rights), que conta com o apoio da igreja, busca codificar direitos para pessoas trans e não binárias, garantindo acesso a cuidados médicos, abrigo, segurança e estabilidade econômica. O projeto de lei propõe a reafirmação da autonomia corporal e do acesso a cuidados de saúde, eliminando barreiras governamentais desnecessárias para a oferta e o acesso a tratamentos e aconselhamento de afirmação de gênero para todas as idades.
Trimble afirmou “Como metodistas unidos, somos chamados a apoiar as pessoas trans, rejeitando leis que permitem que políticos ditem suas decisões sobre cuidados de saúde”.
A manifestação surge em um contexto de crescente debate sobre intervenções médicas para menores com disforia de gênero. Mais da metade dos estados americanos já implementou proibições a cirurgias de redesignação sexual ou tratamentos hormonais para menores. No Reino Unido, o Departamento de Saúde e Assistência Social anunciou em dezembro de 2024 a proibição indefinida do uso de bloqueadores da puberdade em crianças com disforia de gênero, exceto em ensaios clínicos, citando riscos de segurança inaceitáveis.
Nos Estados Unidos, um relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos divulgado em maio de 2024 caracterizou os “cuidados de afirmação de gênero” para crianças trans como intervenções médicas “invasivas” e “geralmente irreversíveis”. Críticos como Mark Tooley, presidente do Instituto sobre Religião e Democracia, questionam a declaração da Igreja Metodista Unida por, segundo ele, não citar o ensinamento cristão sobre homem e mulher como dons divinos e as dificuldades enfrentadas por cristãos coagidos a afirmar a ideologia trans. Tooley expressou ceticismo quanto à influência pública da declaração, considerando o escritório de lobby denominacional “antiquado”.
