Jovem cristão paquistanês morre após tortura; família denuncia abuso de empregadores

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Jovem cristão paquistanês é encontrado morto sob suspeita de tortura e abuso em fazenda

Um homem cristão de 22 anos foi encontrado sem vida em uma fazenda na província de Punjab, Paquistão, em 3 de março. A família da vítima, Marqas Masih, contesta a versão inicial de suicídio apresentada pelos donos da propriedade, alegando que ele sofreu tortura antes de morrer. A notícia foi divulgada em 27 de março de 2026.

Inicialmente, os proprietários da fazenda em Sargodha afirmaram que Masih havia tirado a própria vida, com seu corpo encontrado pendurado em uma viga. No entanto, durante os preparativos para o funeral, a família notou diversas lesões e marcas em seu corpo, levantando suspeitas de homicídio.

Segundo relatos familiares, Marqas Masih trabalhava na fazenda há anos para quitar um empréstimo de 270.000 rúpias paquistanesas (aproximadamente R$ 25.000 na cotação atual) concedido pelos empregadores. Com um salário mensal de apenas 15.000 rúpias, o pagamento da dívida se tornava praticamente impossível, mantendo-o preso ao trabalho.

Seu irmão relatou que os donos da fazenda frequentemente agrediam Masih e permitiam que ele visitasse a família apenas uma vez por ano. Durante sua última visita em novembro, Masih expressou o desejo de não retornar à fazenda, citando maus-tratos e agressões, mas a falta de alternativas e a dívida o forçaram a voltar.

Após a morte, manifestantes locais bloquearam uma estrada em Sargodha, exigindo justiça para Masih e proferindo slogans contra os fazendeiros. Contudo, em vez de focar apenas na investigação do caso, a polícia registrou uma ocorrência contra 19 cristãos que participaram do protesto, acusando-os de obstrução de trânsito e desordem pública. A suspeita é que a influência dos empregadores tenha levado a essa ação policial.

Posteriormente, os dois donos da fazenda, Muhammad Mohsin e Muhammad Basharat, foram detidos e a investigação foi iniciada. Ativistas apontam o caso como um reflexo de um problema maior no Paquistão, onde muitos trabalhadores ficam presos em regimes de servidão por dívida, enfrentando condições precárias e abusos sem fim.

Minorias religiosas, como os cristãos, frequentemente se tornam vítimas desse sistema devido à sua inserção em trabalhos de baixa remuneração e grande dificuldade. Frequentemente, casos como este não resultam em justiça plena, com indivíduos influentes escapando impunes por meio de suborno ou manipulação legal. Há esperança entre a comunidade cristã de que, desta vez, a justiça prevaleça e que situações de abuso contra minorias em trabalho análogo à escravidão sejam combatidas.

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