Pastor sul-coreano libertado após quase 5 meses preso por se opor ao governo

Mais lidas

Pastor sul-coreano que se opôs ao governo é libertado após quase cinco meses de prisão e retoma atividades pastorais

O pastor Hyun-bo Son, líder da Igreja Segero na Coreia do Sul, foi libertado sob fiança após quase cinco meses de detenção. Sua prisão em setembro marcou a primeira vez em 78 anos que um líder religioso foi detido no país por oposição pública ao governo. O episódio gerou preocupações sobre um possível retrocesso nas liberdades fundamentais e no direito à manifestação de fé. Ao retornar ao púlpito, o pastor retomou sua rotina, sendo recebido por um culto com músicas vibrantes e um momento de perguntas e respostas com jovens. O caso foi noticiado pela CBN News.

Diante de crianças e adolescentes, Son abordou o tema da separação entre Igreja e Estado, ecoando a afirmação de um menino de que o governo não deveria interferir em questões religiosas. Esse ponto foi central para sua condenação, que ocorreu sob a acusação de violação da lei eleitoral. A prisão foi motivada por uma entrevista a um candidato a superintendente escolar alinhado a princípios bíblicos, em contraste com o nome apoiado pelo governo, que promovia a inclusão de pautas LGBT no currículo escolar. Segundo o pastor, a situação reflete uma supressão da liberdade religiosa desde a ascensão de um governo de esquerda.

Ele citou uma emenda ao código civil proposta em janeiro, que, em sua visão, permitiria ao Estado dissolver igrejas e revogar suas autorizações com base em discursos ou crenças consideradas políticas. A medida também possibilitaria investigações sem mandado e a transferência de bens eclesiásticos para o governo. O congressista sul-coreano Lee Jong-Wook classificou o caso como “perseguição religiosa”, argumentando que o Estado não tem legitimidade para ditar o que igrejas podem ou não expressar. Líderes religiosos se reuniram para denunciar o que consideram uma escalada na supressão da liberdade de expressão e de fé.

O pastor Son incentivou outros líderes religiosos a não temerem a prisão em defesa do Reino de Deus, declarando-se disposto a pagar o preço, mesmo que isso signifique voltar ao cárcere. Ele relatou ter evangelizado 85 presos e escrito um livro durante seu período detido, descrevendo o local como um “santuário” aos domingos. “Todos os domingos, aquilo não parecia um presídio, mas um santuário”, disse, relatando ter recebido cartas de detentos.

O caso também teve repercussão diplomática. Dias antes da sentença, os filhos do pastor estiveram em Washington, apresentando a situação a equipes do Departamento de Estado dos EUA. Posteriormente, o primeiro-ministro sul-coreano se reuniu com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e o caso foi mencionado no encontro. Representantes do Consulado dos EUA na Coreia do Sul acompanharam a audiência, um fator que, segundo a família, pode ter influenciado a decisão judicial. “Uma semana antes do julgamento, fui convidado à Casa Branca e pude apresentar o caso do meu pai”, contou Chance Son, filho do pastor.

Questionado sobre sua postura durante as audiências, o pastor explicou que evitava olhar para a família para não se desanimar, pois o momento exigia sacrifício e luta. Ele concluiu com um apelo à unidade dos cristãos, ressaltando o valor da liberdade conquistada por antepassados, americanos e missionários. “A República da Coreia é uma nação livre graças aos sacrifícios de nossos antepassados, dos americanos que lutaram na Guerra da Coreia e dos missionários. Mas, com um novo governo de inclinação à esquerda, há preocupações de que nossos filhos sejam influenciados por ideologias contrárias aos valores bíblicos. Oro para que os cristãos na Coreia, nos Estados Unidos e no mundo permaneçam unidos e continuem lançando luz sobre essas questões.”

Ads

Mais notícias

Ads
Ads

Últimas Notícias