Irã manteve campanha contínua de ataques contra americanos desde 1979, aponta análise histórica
Uma análise detalhada do histórico de conflitos revela que o Irã e seus aliados promoveram uma campanha incessante de ataques assimétricos contra os Estados Unidos e seus cidadãos. Desde a crise de tomada de reféns na embaixada em Teerã, em 1979, o regime iraniano é acusado de ter orquestrado mais de 45 incidentes envolvendo sequestro, ataque e morte de americanos. Estes números não incluem as centenas de baixas entre militares americanos no Iraque, atribuídas a aliados do Irã.
Tzvi Kahn, pesquisador da Foundation for Defense of Democracies, compilou um histórico detalhado desses confrontos. Ele aponta a crise de 444 dias com reféns americanos na embaixada como o marco inicial do conflito prolongado entre as duas nações. Segundo Kahn, os 47 anos subsequentes foram marcados por uma ação sistemática do regime iraniano visando americanos em diversas partes do mundo.
A contagem dos mortos americanos em ataques atribuídos ao Irã e seus representantes ultrapassa 30 incidentes. Entre os eventos citados estão a explosão na embaixada dos EUA em Beirute em 1983, que matou 17 americanos, e o bombardeio ao compound dos fuzileiros navais na mesma cidade, no mesmo ano, tirando a vida de 241 militares. Em 1996, um caminhão-bomba nas Khobar Towers, na Arábia Saudita, resultou na morte de 19 americanos e ferimentos em outros 500.
Em 1998, o Irã foi associado a ataques suicidas de fundamentalistas que explodiram as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, causando a morte de 224 pessoas, incluindo 12 americanos. Durante a guerra do Iraque, milícias apoiadas pelo Irã foram responsáveis pela morte de pelo menos 603 soldados americanos, frequentemente utilizando artefatos explosivos improvisados (IEDs). O Irã também é apontado como diretamente envolvido no massacre de 7 de outubro em Israel, que resultou na morte de 46 americanos.
A análise de Kahn sugere que os Estados Unidos nunca executaram uma campanha sustentada e agressiva contra o Irã, optando, em vez disso, por negociações e tentativas de pacificação. Ele menciona que administrações anteriores entregaram ao Irã US$ 17 bilhões em ativos congelados, um ato seguido por novos ataques ao interesse americano. O primeiro ataque militar direto dos EUA contra o Irã só ocorreu em 2020, com a eliminação do comandante da Força Quds, Qasem Soleimani.
Barak Seener, do Henry Jackson Society, em Londres, descreve a situação como uma guerra “bem atrasada”. Ele argumenta que a liderança iraniana, fundamentada em crenças religiosas que preveem uma guerra global para anunciar o retorno do seu Mahdi (o Décimo Segundo Iman), jamais poderia ser autorizada a possuir armas nucleares. Seener afirma que a postura confrontadora do regime com o Ocidente é guiada por uma filosofia teocrática e niilista, que pode até mesmo levar ao seu próprio fim com o retorno do Iman.
Ambos os especialistas convergem na opinião de que o regime iraniano continuará a perpetrar ataques contra americanos se não for detido.
