Cristãos enfrentam violência extrema, mortes e destruição na República Democrática do Congo, com conflitos se intensificando
Cristãos têm sido alvos de ataques, assassinatos e sequestros semanais na República Democrática do Congo (RDC), em uma escalada de violência que muitos consideram sem precedentes. Entre julho de 2024 e julho de 2025, aproximadamente 400 cristãos foram mortos no país, segundo o Instituto para a Liberdade Religiosa Internacional. Este número representa apenas uma fração da totalidade da violência, de acordo com dados de uma única entidade.
A influência de milícias rebeldes, impulsionada por ideologias islamistas extremistas, conflitos civis de longa data e instabilidade política, tem crescido em grande parte na nação de maioria cristã. Apesar dos esforços do governo congolês para retomar o controle de áreas dominadas por grupos terroristas, especialistas apontam o país como um estado falho, incapaz de garantir os direitos humanos básicos e a segurança de seus cidadãos.
Um funcionário da International Christian Concern (ICC) destacou que o terrorismo está desenfreado no leste da RDC, alimentado por tensões regionais e pela dificuldade do governo em combater eficazmente os ataques de militantes. Embora diversas milícias atuem no país, duas organizações terroristas proeminentes são apontadas como responsáveis pela morte de centenas de cristãos somente em 2025.
ADF e M23 desestabilizam a região e atacam comunidades cristãs
As Forças Aliadas Democráticas (ADF) e o grupo rebelde M23 têm sido centrais na desestabilização da região. Em fevereiro de 2025, o Parlamento Europeu reconheceu a urgência da violência imposta aos cristãos congoleses por esses grupos.
“Os ataques sistemáticos a comunidades cristãs na região por grupos armados como as ADF e grupos aliados ao M23 constituem uma grave violação dos direitos humanos que exige atenção internacional imediata”, declarou o Parlamento Europeu.
As ADF, com o objetivo de estabelecer a lei Sharia e eliminar não-muçulmanos, possuem fortes laços com o Estado Islâmico, sendo também conhecidas como Estado Islâmico Província da África Central (ISCAP). A organização impõe restrições religiosas, exigindo o estudo do Alcorão e a conversão ao Islã sob ameaça de retaliação violenta.
O líder das ADF, Musa Baluku, é conhecido por sua crueldade, participando de decapitações e crucificações de prisioneiros e expressando desprezo por não-muçulmanos. As ADF alegam ter matado mais de 700 cristãos desde o Natal de 2024.
Relatos da Anistia Internacional indicam que terroristas sequestram e matam civis com frequência alarmante, abusando de mulheres e meninas como escravas sexuais nas províncias de Kivu do Norte e Ituri. Mulheres que recusam casamentos forçados com membros da ADF são mortas. O grupo também ataca hospitais, igrejas cristãs e locais de trabalho.
Entre 13 e 19 de novembro de 2025, as ADF realizaram ataques no território de Lubero, em Kivu do Norte, resultando na morte de 89 pessoas. Em 15 de novembro, militantes da ADF mataram 18 pacientes em um centro médico em Byambwe e incendiaram a instalação e casas próximas. Em 13 de agosto, combatentes das ADF roubaram vestes de uma igreja cristã, se infiltraram na área de Mayi Moya e sequestraram oito indivíduos.
Já o M23, que muitos acreditam ter apoio de Ruanda, tem motivação política, enraizada em rivalidades étnicas e tribais entre os povos Tutsi e Hutu. O grupo busca mudar a política da RDC em favor do povo Tutsi.
Em janeiro de 2025, o M23 capturou Goma, capital de Kivu do Norte, e tomou o controle de minas em Masisi e Minova. Em fevereiro de 2025, o grupo rebelde também tomou Bukavu, capital de Kivu do Sul. Desde o início de dezembro de 2025, o M23 teria matado mais de 1.500 civis.
Deslocamento e ajuda humanitária em meio ao caos
A violência contínua gerada pelas ADF e M23 forçou milhões de cristãos ao deslocamento, levando-os a viver em acampamentos de refugiados inseguros, frequentemente alvos de milícias e carentes de saneamento e alimentos.
Diante desse cenário de brutalidade, a International Christian Concern (ICC) tem fornecido ajuda emergencial, incluindo roupas, medicamentos, alimentos e apoio na reconstrução de casas. A organização também apoia pequenos negócios para gerar renda às famílias desabrigadas e auxilia orfanatos que acolhem crianças órfãs pela violência.
A necessidade de responsabilização e neutralização das organizações terroristas na RDC é urgente. As milícias rebeldes continuarão seu ciclo de terror e perseguição enquanto não forem contidas e observadas pela comunidade internacional.
