Rejeição global à primeira bispa lésbica na Inglaterra: conservadores anglicanos se reúnem na Nigéria para formar nova comunhão

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Ala conservadora da Igreja Anglicana critica nomeação de bispa lésbica e busca unidade em nova comunhão paralela

Um grupo significativo de líderes anglicanos de orientação conservadora iniciou uma reunião na cidade de Abuja, na Nigéria, nesta semana com o objetivo de estabelecer uma nova liderança espiritual para o movimento. A iniciativa surge como uma resposta direta à recente nomeação de uma bispa lésbica para um cargo de destaque na Igreja da Inglaterra.

Este encontro acontece simultaneamente à preparação para a posse de Sarah Mullally como a 106ª arcebispa de Canterbury, evento agendado para 25 de março na icônica Catedral de Canterbury. A nova estrutura, denominada Global Anglican Communion, foi concebida por líderes alinhados à GAFCON e visa reorganizar igrejas anglicanas em torno de uma interpretação bíblica considerada mais tradicional.

A GAFCON, que tem suas origens em um encontro em Jerusalém em 2008, foi formada em meio a crescentes tensões dentro da Comunhão Anglicana. As divergências centrais giram em torno do reconhecimento de uniões entre pessoas do mesmo sexo, questões de moral sexual e a própria autoridade eclesiástica.

Após a confirmação da nomeação de Mullally, que ocorreu no segundo semestre do ano passado, a GAFCON criticou publicamente a sua postura favorável à bênção de casais do mesmo sexo. Lideranças do grupo ressaltaram que a recém-criada comunhão tem como propósito reafirmar a Bíblia como o pilar fundamental da doutrina anglicana.

Observadores apontam que este movimento pode indicar uma divisão substancial dentro do anglicanismo. O historiador Diarmaid MacCulloch, professor emérito da Universidade de Oxford, comentou à BBC que a situação se aproxima de um cisma, mesmo que não seja formalmente denominado assim. Segundo MacCulloch, o encontro na Nigéria congrega líderes que buscam fortalecer uma identidade teológica mais conservadora.

O arcebispo Laurent Mbanda, presidente do Conselho de Primazes da GAFCON, já havia declarado que a escolha da nova arcebispa poderia intensificar as divisões existentes na comunhão global.

Mbanda explicou que, historicamente, o arcebispo de Canterbury serviu como uma referência espiritual unificadora para as igrejas anglicanas, com influência em estruturas tradicionais como a Conferência de Lambeth, a Reunião dos Primazes e o Conselho Consultivo Anglicano. Contudo, líderes conservadores passaram a questionar a autoridade de Canterbury como ponto de unidade, uma posição formalizada no Compromisso de Kigali, divulgado em 2023.

A cerimônia oficial de posse de Mullally está marcada para o final de março, após sua confirmação na Catedral de São Paulo, em Londres, evento que também registrou manifestações de oposição. Paralelamente, o Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra decidiu encerrar planos para a criação de cerimônias de bênção para uniões do mesmo sexo, após um longo e intenso debate interno.

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