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quinta-feira, 5 março 2026

Colapso em Mina de Coltan no Congo Deixa Mais de 200 Mortos, Autoridades e Rebeldes Divergem Sobre Balanço Fatal

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Colapso trágico em mina de coltan no leste do Congo: autoridades confirmam mais de 200 óbitos enquanto rebeldes contestam número de vítimas

Um grave incidente em um sítio de mineração de coltan no leste do Congo resultou na morte de, no mínimo, 200 pessoas. As autoridades congolesas divulgaram o balanço nesta quarta-feira (dia seguinte ao colapso), mas o grupo rebelde M23, que controla a área, apresentou uma versão distinta sobre o número de fatalidades, conforme informações apuradas pela Associated Press.

O desabamento ocorreu na terça-feira nas minas de Rubaya, um local estratégico para a extração de coltan, um minério essencial para a fabricação de dispositivos eletrônicos e motores de aeronaves. O Ministério das Minas do Congo emitiu um comunicado detalhando o ocorrido, marcando mais um acidente em territórios ricos em minerais e sob controle de grupos armados.

Fanny Kaj, uma alta oficial do M23, grupo que exerce controle sobre as jazidas, minimizou o número de mortos divulgado pelo governo. Kaj afirmou que a informação publicada não corresponde à realidade e que o incidente foi causado por “bombardeios”, com um saldo de apenas cinco vítimas fatais.

“Posso confirmar que o que as pessoas estão publicando não é verdade. Não houve deslizamento de terra; houve bombardeios, e o número de mortos não é o que as pessoas estão dizendo. São simplesmente cerca de cinco pessoas que morreram”, declarou Kaj.

Em contrapartida, um mineiro que trabalhava no local, identificado como Ibrahim Taluseke, relatou ter auxiliado na recuperação de mais de 200 corpos na região. Taluseke expressou o medo dos trabalhadores e criticou a falta de transparência dos proprietários das minas em relação ao número exato de vítimas.

“Estamos com medo, mas são vidas que estão em perigo. Os donos dos poços não aceitam que o número exato de mortes seja revelado.”

Rubaya está localizada na região central do leste do Congo, uma área conhecida por sua riqueza mineral, mas que há décadas sofre com a violência de forças governamentais e diversos grupos armados. O M23, com apoio de Ruanda, intensificou recentemente o conflito, agravando uma crise humanitária já severa na região.

O Congo é um dos principais fornecedores globais de coltan, respondendo por cerca de 40% da produção mundial em 2023, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. O minério contém tântalo, crucial para a produção de smartphones, computadores e motores de aeronaves. As minas de Rubaya são responsáveis por mais de 15% do fornecimento mundial de tântalo.

Em maio de 2024, o M23 tomou o controle da cidade e de suas minas. Um relatório da ONU indica que, desde a tomada, os rebeldes impuseram taxas sobre o comércio e transporte de coltan, gerando uma receita estimada em pelo menos US$ 800.000 mensais.

A região do leste congolês vive em estado de crise intermitente há décadas. Os conflitos resultaram em uma das maiores crises humanitárias do mundo, com mais de 7 milhões de pessoas deslocadas, incluindo mais de 300.000 que deixaram suas casas desde dezembro. Em junho, os governos do Congo e de Ruanda firmaram um acordo de paz mediado pelos EUA, e negociações entre rebeldes e o Congo seguem em andamento. Contudo, os combates persistem em diversas frentes, continuando a causar vítimas civis e militares.

O acordo entre Congo e Ruanda também visa facilitar o acesso a minerais críticos para o governo e empresas americanas. Um incidente semelhante, ocorrido no mês anterior, também resultou na morte de mais de 200 pessoas.

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