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quarta-feira, 4 março 2026

Evangélicos mexicanos enfrentam terror e isolamento em meio a violência de cartel após morte de líder

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Violência de cartel impõe terror e isolamento a evangélicos no sul do México em meio a perseguições crescentes

A morte de Nemesio Ruben Osequera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), deflagrou uma onda de violência e destruição em todo o México. A operação, realizada pelas forças militares mexicanas com apoio dos Estados Unidos, resultou na morte de 37 militares e desencadeou mais de 250 bloqueios, incêndios de veículos e ataques em estabelecimentos por pelo menos 20 estados. Essa escalada de terror afetou diretamente comunidades evangélicas, forçando o fechamento de igrejas e escolas, como relata a International Christian Concern (ICC).

Em Tehuantepec, no estado de Oaxaca, igrejas e a única escola cristã evangélica aprovada pelo governo local fecharam as portas em resposta à violência. Essa interrupção agrava o isolamento já enfrentado por cristãos que se recusam a participar de rituais e festividades comunitárias com raízes na idolatria e bruxaria. Para crianças em situação de pobreza, o fechamento das escolas significa a perda do almoço e potenciais abusos domésticos, somados à interrupção de seus estudos.

O México foi classificado em 2025 pela Portas Abertas como o 30º pior país para a perseguição de cristãos. O relatório aponta um aumento preocupante em incidentes graves, incluindo mortes e novas formas de violência. A hostilidade persiste em comunidades indígenas contra cristãos que não aderem a práticas religiosas tradicionais sincréticas, que muitas vezes mesclam costumes pagãos com o catolicismo, em um fenômeno descrito como ‘cristo-paganismo’.

Relatos recentes detalham incidentes de perseguição. Em janeiro de 2026, 11 evangélicos foram agredidos e detidos na região indígena de Alto de Chiapas por se recusarem a participar de festividades idólatras. Um caso semelhante ocorreu em San Juan Mazatian Mixe, Oaxaca, onde o Pastor Mariano Velasquez Martinez foi preso por se recusar a orar a uma imagem de São Tiago. Após cinco dias de prisão, ele foi expulso da comunidade sob coação para assinar um documento de partida, com seu paradeiro e bem-estar atuais incertos.

Historicamente, o catolicismo foi a religião estatal no México após a independência em 1824, com outras religiões recebendo reconhecimento legal apenas em 1917, sem direitos plenos. As leis foram revisadas em 1988 para garantir a liberdade religiosa, mas os desafios persistem, especialmente em comunidades indígenas que mantêm costumes próprios e onde a adesão a rituais comunitários, frequentemente envolvendo embriaguez e práticas idólatras, é obrigatória. Cristãos que se recusam a participar enfrentam discriminação, corte de serviços básicos, ostracismo dos filhos e, em casos mais graves, ameaças, expulsão, incêndio de igrejas e destruição de lares.

Além das pressões comunitárias, a ameaça constante dos cartéis de drogas também afeta cristãos que se opõem às suas atividades criminosas. A International Christian Concern (ICC) reforça o apelo por orações pela segurança dos cristãos mexicanos, destacando que a perseguição não se limita a outras partes do mundo, mas também ocorre no continente americano.

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