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segunda-feira, 16 fevereiro 2026

Escola de Samba Acadêmicos de Niterói Sob Fogo Cruzado Após Sátiras Religiosas e Políticas em Desfile Histórico

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Escola de samba Acadêmicos de Niterói é alvo de polêmica por sátiras religiosas e políticas em desfile de carnaval

A escola de samba Acadêmicos de Niterói se tornou o centro de uma intensa controvérsia após seu desfile no Carnaval do Rio de Janeiro na noite de domingo (15). A apresentação, que integrou um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluiu alegorias e alas com forte teor político e ideológico, gerando críticas imediatas de lideranças cristãs, parlamentares e figuras ligadas à família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Um dos pontos mais criticados foi a ala intitulada “Neoconservadores em conserva”. Os componentes estavam fantasiados como latas, com rótulos como “Evangélico de Conserva” e “Crente Conservador”, acompanhados de inscrições como “Suco de Ódio” e “Falso Moralista”. Segundo a descrição oficial da escola, a metáfora da lata visava simbolizar a família tradicional, definida como composta apenas por homem, mulher e filhos. A ala, associada ao número 22, número de urna do Partido Liberal, pretendia criticar os chamados “neoconservadores”, retratados como opositores do presidente, ligados a pautas como privatizações, flexibilização do porte de armas e interesses do agronegócio.

A proposta carnavalesca, conforme declarado pela escola, buscava criticar o que classificam como um “aprisionamento ideológico” presente em certos setores sociais, utilizando a alegoria das latas para sugerir que esses grupos estariam “presos” a ideias consideradas retrógradas em um trecho do desfile denominado “O Tempo da Intolerância”.

Lideranças cristãs reagem com veemência

A apresentação provocou forte reação da Frente Parlamentar Evangélica e de associações de juristas cristãos. Essas entidades classificaram a encenação como um desrespeito à liberdade religiosa, alegando que o conteúdo configura “cristofobia” ao retratar fiéis como mercadoria política. O nome da fonte, Folha Gospel, registrou a repercussão dessas críticas.

Carro alegórico com representação de Bolsonaro amplia a polêmica

Adicionalmente, um carro alegórico retratou uma figura identificada como Jair Bolsonaro vestido de palhaço, atrás de grades, com tornozeleira eletrônica e faixa presidencial. A cena também continha referências visuais a investigações e decisões judiciais em tramitação no Supremo Tribunal Federal. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manifestou sua indignação nas redes sociais:

“Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial e não opinião”.

Ela acusou a alegoria de distorcer a realidade jurídica do país. O senador Flávio Bolsonaro também criticou o desfile, afirmando que a escola “atacou o projeto de Deus”. Sua declaração indicou que a assessoria jurídica do partido avalia acionar o Tribunal Superior Eleitoral, sob a alegação de que o desfile poderia configurar propaganda eleitoral antecipada para a eleição presidencial de outubro de 2026.

Repercussão e debate sobre liberdade de expressão

A controvérsia gerou ampla repercussão em setores religiosos e conservadores, com o desfile sendo classificado como “perseguição ideológica”. O episódio se insere em um contexto de intensificação do debate público sobre os limites da liberdade religiosa, da sátira política e da expressão artística no Carnaval brasileiro, conforme noticiado pela fonte original.

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