Pastor evangélico defende o carnaval na Sapucaí e critica retiros de igrejas, questionando posições conservadoras
Durante um momento de oração nos ensaios técnicos do carnaval na Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro, o pastor Cosme Felippsen, líder da Assembleia de Deus Esperança, manifestou apoio à festa popular e criticou segmentos evangélicos por optarem por retiros durante o período.
O religioso, falando em meio à chuva no sambódromo, procurou tranquilizar os presentes com uma declaração sobre a queda de raios. “Porque raio só cai na cabeça de falsos fundamentalistas”, disse, fazendo alusão a um incidente ocorrido em Brasília. A intervenção do pastor ocorreu na última quinta-feira (5).
Felippsen expressou descontentamento com a atitude de cristãos que abandonam a cidade durante o feriado. “Lamento profundamente por muitos dos meus irmãos em Cristo abandonarem a cidade em época de carnaval e fazerem retiros, dizendo que a cidade está na mão de Satanás”, declarou.
Ele refutou a ideia de que o carnaval e a cidade pertencem ao diabo. “Digo a vocês que a cidade e o carnaval não é do demônio, é sim dos cariocas, é de todos que amam a vida”, afirmou.
O pastor traçou um paralelo entre a festa popular e problemas sociais, como a fome. “Demônio não é o samba, demônio é a fome que muitas famílias ainda passam em nossa cidade enquanto grandes igrejas continuam enriquecendo seus pastores, que também podem ser chamados de falsos profetas e usurpadores da fé”, pontuou.
Em sua fala, Felippsen defendeu que o carnaval em si não configura pecado, mas sim a “ganância” e o “racismo religioso”. Ele também fez um apelo por respeito às religiões de matriz africana, como umbanda, candomblé e quimbanda.


