Um homem identificado como Mohsen Rashidi, de 42 anos, foi morto durante as repressões a manifestações no Irã, depois de ser baleado pelas costas enquanto tentava recuperar o corpo de um amigo em Baharestão, província de Isfahan.
A família diz que as forças de segurança negaram atendimento e pressionaram parentes, inclusive exigindo a assinatura de um documento falso que o classificava como membro do Basij, informação que eles recusaram.
Casos semelhantes foram registrados em outras cidades, incluindo a morte de Ehsan Afshari-Manesh, que havia vivido na Suécia, mostrando que muitos cristãos estavam entre as vítimas, conforme informação divulgada pelo Article 18, pelo Iran International e pelo jornal sueco Dagen.
O que ocorreu em Baharestão
Segundo relato de familiares e do grupo Article 18, durante manifestações em 9 de janeiro, Shahram Maghsoudlou foi atingido por tiros de metralhadora no peito, e em seguida Mohsen se aproximou para ajudar.
Solmaz, a cunhada de Mohsen, afirmou, “Mohsen se aproximou do amigo para ajudá-lo, mas as forças de segurança o espancam severamente”, e depois, quando retornou ao local para recuperar o corpo do amigo, ele foi baleado pelas costas.
Ferido e sangrando muito, Mohsen foi socorrido por outros manifestantes e levado até o hospital, porém, conforme Solmaz, “Negaram o acesso a tratamento médico. Como resultado de um sangramento severo, Mohsen perdeu a vida”.
Pressão sobre a família e devolução do corpo
A família de Mohsen passou cinco dias sem saber se ele estava vivo ou morto, até encontrar o nome dele em uma lista de vítimas das manifestações.
Solmaz denunciou que “A família foi ordenada a assinar um formulário falso, afirmando que ele era membro do grupo paramilitar Basij e que havia sido morto por manifestantes. A família recusou esse pedido; consequentemente, seu corpo só foi devolvido a eles depois de pagarem um bilhão de tomans (aproximadamente 8.000 dólares)”.
As autoridades também impediram cerimônias de luto, afirmando que a família não pôde realizar funeral nem colocar lápide no túmulo, segundo a cunhada.
Outras vítimas cristãs e relatos de violência extrema
Outro caso confirmado é o de Ehsan Afshari-Manesh, de 39 anos, que morava na Suécia e retornou ao Irã, onde foi obrigado a cumprir serviço militar e participou dos protestos iniciados em 28 de dezembro.
O pastor de Ehsan, Hossein Bahrami, relatou que ele foi baleado duas vezes no estômago. A família só foi informada de sua morte após 11 dias, e o rosto de Ehsan estava “irreconhecível porque estava completamente despedaçado”, sendo identificado por tatuagens nas costas e ombros, conforme o jornal Dagen.
O pastor declarou, traduzido do relato publicado, “É terrível. Nós, como cristãos, não somos chamados a amaldiçoar ninguém, mas a abençoar todos, mas nessa situação é difícil abrir a boca. As pessoas estão de luto por ele tanto aqui na Suécia quanto no Irã”.
Estimativas de mortos e responsabilidades atribuídas
Relatos investigativos citados pelo Iran International e pela revista Time indicam que mais de 36 mil pessoas foram mortas pelo regime aiatolá durante o auge dos protestos no início de janeiro.
A publicação afirmou que esses números, baseados em documentos confidenciais, relatórios de campo e depoimentos de profissionais de saúde, testemunhas e familiares, tornam esses assassinatos “o massacre mais sangrento de civis durante protestos de rua, em um intervalo de dois dias, na história”.
O relatório aponta que a maioria das mortes foi cometida pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, o IRGC, e pela milícia aliada Basij, com apoio de combatentes proxies vindos do Iraque e da Síria, segundo as apurações citadas.
Impacto humano e legado
Mohsen Rashidi deixou esposa, uma filha de quatro anos e duas enteadas adolescentes. A proibição de ritos fúnebres e a dificuldade de sepultamento ampliam o sofrimento das famílias, segundo relatos de parentes.
Os casos destacam o risco enfrentado por manifestantes, incluindo cristãos, e reforçam pedidos de investigação internacional sobre as ações das forças de segurança durante as manifestações.
Fontes citadas neste texto, Article 18, Iran International, Dagen e Time, forneceram as informações e depoimentos usados nesta reportagem.


