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sexta-feira, 20 fevereiro 2026

Pesquisa revela baixo conhecimento sobre o Holocausto entre católicos no Brasil, apenas 47% o definem como extermínio de 6 milhões, diz levantamento do Grupo ISPO

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Levantamento com 7.762 entrevistas aponta que 59,3% declaram conhecer o Holocausto, mas só 53,2% definem corretamente o extermínio de seis milhões de judeus, segundo Grupo ISPO e instituições parceiras

Um novo estudo traça um panorama preocupante sobre o conhecimento do Holocausto entre a população brasileira, especialmente entre grupos religiosos majoritários.

A pesquisa buscou identificar fontes de informação, influência da escolaridade, renda e perfil sociodemográfico na compreensão do episódio histórico.

Os dados e a metodologia foram divulgados pelas organizações responsáveis pelo levantamento, conforme informação divulgada pela Confederação Israelita do Brasil, pelo Memorial do Holocausto de São Paulo, pelo Museu do Holocausto de Curitiba e pela StandWithUs.

Metodologia e alcance da pesquisa

Foram realizadas um total de 7.762 entrevistas, com margem de erro de 4,7% e intervalo de confiança de 95%.

A abrangência incluiu 11 regiões metropolitanas do país, com entrevistas presenciais em pontos de fluxo, como estações de transporte e centros comerciais, e controle por cota sociodemográfica.

A pesquisa foi estruturada em duas etapas, uma piloto na Região Sul em abril de 2025, nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis, e uma etapa nacional entre setembro e outubro de 2025, que incluiu São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife, entre outras.

Resultados gerais e pontos-chave

Embora 59,3% dos entrevistados afirmam ter algum conhecimento sobre o Holocausto, apenas 53,2% conseguiram defini-lo corretamente como o extermínio sistemático de seis milhões de judeus pelo regime nazista.

A fragilidade do conhecimento se acentua ao avaliar elementos específicos do tema, por exemplo, apenas 38,5% identificaram corretamente Auschwitz-Birkenau como um campo de extermínio, enquanto 51,6% declararam não saber responder, pergunta aplicada apenas na Etapa 2, Nacional, Regiões Metropolitanas.

O perfil predominante da amostra foi de 54,2% mulheres, 31,4% jovens de 18 a 29 anos, 51,8% com ensino médio, e 54,4% com renda familiar de até dois salários-mínimos.

Conhecimento por grupos religiosos

De acordo com a pesquisa, grupos religiosos majoritários apresentam níveis de conhecimento abaixo da média nacional.

O que foi o holocausto? (Católico), Conflito militar com 50 milhões de mortos, 7%, Assassinato sistemático de 6 milhões de judeus, 47%, Movimento cultural promovendo a diversidade, 3%, Episódio isolado sem relevância comprovada, 2%, Não sei / Nenhuma, 41%

O que foi o holocausto? (Protestante), Conflito militar com 50 milhões de mortos, 5%, Assassinato sistemático de 6 milhões de judeus, 53%, Movimento cultural promovendo a diversidade, 5%, Episódio isolado sem relevância comprovada, 0%, Não sei / Nenhuma, 37%

O que foi o holocausto? (Evangélico), Conflito militar com 50 milhões de mortos, 9%, Assassinato sistemático de 6 milhões de judeus, 49%, Movimento cultural promovendo a diversidade, 4%, Episódio isolado sem relevância comprovada, 2%, Não sei / Nenhuma, 36%

O que foi o holocausto? (Afro-Brasileiro), Conflito militar com 50 milhões de mortos, 7%, Assassinato sistemático de 6 milhões de judeus, 44%, Movimento cultural promovendo a diversidade, 4%, Episódio isolado sem relevância comprovada, 3%, Não sei / Nenhuma, 42%

Implicações e recomendações

Os resultados apontam para a necessidade de políticas públicas de educação histórica que reforcem o ensino sobre o Holocausto, memória e direitos humanos nas escolas e em espaços de convivência cultural.

Instituições de memória, museus e organizações que promovem preservação da memória judaica têm papel central na oferta de materiais e formação para professores, assim como ações direcionadas a comunidades religiosas e meios de comunicação.

O levantamento também indica a importância de campanhas informativas claras, materiais acessíveis e iniciativas que combatam a desinformação e a banalização da violência, para que o conhecimento sobre o Holocausto deixe de ser fragmentado e passe a integrar a formação cidadã.

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