A Corajosa Busca pela Fé: Cristianismo no Irã em Tempos de Repressão
Apesar das tensões internacionais e da repressão interna, o Irã, uma nação de maioria muçulmana xiita, tem visto um fenômeno surpreendente: o crescimento do interesse pelo cristianismo entre seus cidadãos. Conforme relatado pelo Folha Gospel, a conversão ao cristianismo, especialmente para aqueles de origem muçulmana, é uma prática estritamente proibida e sujeita a severas punições, incluindo longas penas de prisão, e em teoria, a pena de morte.
Contudo, a realidade no terreno é mais complexa. Uma desilusão crescente com o islamismo oficial e a busca por significado têm levado muitos iranianos a explorar outras fés. O cristianismo, em suas diversas vertentes, tem se tornado um refúgio espiritual para uma parcela da população que se sente alienada do regime e de suas práticas religiosas impostas.
A jornada de indivíduos como “Darius”, um convertido ao cristianismo ortodoxo, ilustra os desafios e as motivações por trás dessa transformação. Sua história, repleta de fé secreta, comunidades online e um desejo profundo por liberdade religiosa, reflete uma tendência mais ampla no Irã, conforme informações divulgadas pelo Folha Gospel.
A Escolha do Cristianismo Ortodoxo e os Desafios da Conversão
Para “Darius”, a escolha pelo cristianismo ortodoxo o colocou em um caminho ainda mais restrito. Embora existam igrejas ortodoxas no Irã, elas são majoritariamente frequentadas por minorias étnicas com linhagem cristã antiga. A conversão de muçulmanos é monitorada de perto pelas autoridades, e o clero ortodoxo, por medo de represálias, evita acolher novos fiéis de origem muçulmana.
As punições para os convertidos e para aqueles que auxiliam na conversão são rigorosas. A possibilidade de longas penas de prisão é uma realidade constante, desencorajando a prática aberta da fé. “Darius” relata que o clero local “não ousa responder a nenhum muçulmano” que busca se converter.
Diante dessa realidade, a maioria dos iranianos que se convertem ao cristianismo opta pelo protestantismo. Muitos estabelecem ou se juntam a igrejas clandestinas, enquanto outros buscam refúgio em países vizinhos, como a Turquia, onde mantêm sua fé em segredo.
Um Declínio na Adesão Religiosa e o Crescimento do Interesse pelo Cristianismo
Paradoxalmente, a repressão à conversão religiosa ocorre em um contexto de notável declínio na adesão ao islamismo no Irã. “Darius” observa que as mesquitas estão frequentemente vazias, frequentadas principalmente por idosos e apoiadores do regime. O consumo de álcool, embora proibido, também tem crescido em popularidade, indicando uma liberalização de costumes em paralelo à desafeição religiosa.
Essa atmosfera de menor observância religiosa facilita, em certa medida, a manutenção da fé cristã em segredo. “Só preciso tomar cuidado com o que digo e não falar nada sobre o cristianismo”, comenta “Darius”, que se dedica à leitura da Bíblia e à oração em comunidades online moderadas por outros iranianos.
A familiaridade com o cristianismo tem crescido por diversos meios, desde anúncios no YouTube apresentando Jesus até experiências espirituais e sonhos. O próprio “Darius” foi influenciado por músicas religiosas de Johnny Cash e por um sonho vívido com ícones ortodoxos, que interpretou como um chamado divino.
A Busca por Liberdade e um Futuro Melhor
O desejo de “Darius” de emigrar para a Europa reflete a aspiração de muitos iranianos convertidos: escapar da perseguição e construir um futuro com liberdade religiosa. “Gostaria de ir para a Europa, para poder escapar deste inferno [sua terra natal tão sofrida] e ter um futuro”, expressa ele, almejando também ser batizado “mais facilmente e sem medo”.
Apesar da hostilidade de setores do regime e de grupos nacionalistas, “Darius” acredita que a maioria dos iranianos não nutre ódio pelo Ocidente nem fortes opiniões sobre o cristianismo. Pelo contrário, a fé cristã tem se tornado cada vez mais atraente para muitos, levando a mídia a reportar que o Irã possui a comunidade cristã de crescimento mais rápido no mundo.
A jornada de “Darius” começou com um questionamento profundo de suas próprias crenças muçulmanas. Após se sentir perdido, buscou um guia espiritual e encontrou inspiração na arte da Catedral de Vank e nas mensagens religiosas de Johnny Cash. Um encontro com uma vendedora de Bíblias em Teerã, uma atividade perigosa no país, selou sua decisão, culminando na compra de um exemplar em persa.
Ele reconhece os riscos inerentes à sua jornada espiritual, mas aceita os desafios: “O caminho verdadeiro nem sempre é o caminho que queremos e gostamos”, reflete “Darius”, demonstrando a profundidade de sua convicção em meio a um cenário de adversidade.


