Ativistas são detidos em igreja batista após protesto contra pastor ligado ao ICE nos EUA
Agentes federais dos Estados Unidos efetuaram a prisão de três manifestantes de Minnesota. A ação ocorreu após um protesto dentro de uma igreja batista direcionado a um pastor que, segundo os ativistas, exerce um papel de liderança no Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). A manifestação, que interrompeu um culto religioso, visava o pastor David Easterwood, apontado como diretor interino do escritório local do ICE na região de Minneapolis–St. Paul.
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que as prisões foram realizadas por agentes do FBI e do Departamento de Segurança Interna (DHS). Entre os detidos estão os ativistas de direitos civis Nekima Levy Armstrong e Chauntyll Louisa Allen, que teriam auxiliado na organização do protesto, além de William Kelly, veterano do Exército e ativista anti-ICE. A procuradora-geral também indicou que novas prisões podem ocorrer.
Conforme o diretor do FBI, Kash Patel, Levy Armstrong foi acusada com base em uma lei federal que proíbe a obstrução física de casas de culto. A manifestação envolveu dezenas de pessoas que interromperam um culto dominical, gritando slogans e forçando o encerramento da celebração. A ação dos ativistas alegou que a atuação de Easterwood no ICE entraria em conflito com valores cristãos. As informações foram divulgadas em meio a declarações da procuradora-geral sobre ataques a locais de culto.
Lei Federal e Acusações Contra Manifestantes
Nekima Levy Armstrong, Chauntyll Louisa Allen e William Kelly foram formalmente acusados. A acusação contra Levy Armstrong baseia-se em uma lei federal que criminaliza a obstrução física de casas de culto. Essa legislação visa proteger locais de adoração de interferências e intimidações. A Secretaria de Segurança Interna, Kristi Noem, divulgou imagens das prisões, afirmando que os ativistas responderão por conspiração para interferir em direitos constitucionalmente protegidos, como a livre prática religiosa.
Polêmica Envolve Ex-Âncora da CNN e Investigação do Departamento de Justiça
O caso ganhou notoriedade com a participação do ex-âncora da CNN, Don Lemon, que transmitiu o protesto ao vivo de dentro da igreja. No entanto, um juiz de Minnesota rejeitou uma queixa criminal apresentada pelo Departamento de Justiça contra o jornalista. Segundo uma fonte próxima ao caso, a procuradora-geral estaria insatisfeita com essa decisão. Os advogados dos detidos não comentaram as prisões imediatamente. Don Lemon declarou que sua atuação foi estritamente jornalística e que ele não participou da organização do protesto.
A chefe da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça, Harmeet Dhillon, anunciou a abertura de uma investigação sobre possíveis violações da Lei de Liberdade de Acesso a Clínicas, uma legislação federal de 1994 que também protege casas de culto. Dhillon sugeriu que a presença de Lemon no local poderia não isentá-lo de envolvimento em uma possível “conspiração criminosa”, apesar de ele ter sido liberado de acusações criminais.
Ativistas Alegam Retaliação e Abuso de Poder
Nekima Levy Armstrong, advogada de direitos civis, classificou a reação do governo como uma retaliação e abuso de poder. Segundo ela, a ação governamental ocorreu após o Departamento de Justiça decidir não investigar o agente do ICE Jonathan Ross, responsável por um disparo que resultou na morte de Renee Good, moradora de Minneapolis. Levy Armstrong expressou preocupação com o uso instrumentalizado dos poderes de investigação.
David Easterwood é listado como pastor no site oficial da Cities Church e, simultaneamente, aparece em registros públicos como diretor interino do escritório de campo do ICE em St. Paul. Ele não se pronunciou sobre as acusações. O pastor sênior da igreja, Jonathan Parnell, emitiu uma nota afirmando que a Cities Church considera medidas judiciais contra os manifestantes, descrevendo a ação como intimidadora e ameaçadora, que assustou crianças e membros da congregação.
Protesto e Repercussão no Culto
Imagens do protesto mostram os manifestantes entoando “Fora ICE”. Em resposta, o pastor Parnell, do púlpito, expressou indignação: “Que vergonha, esta é a casa de Deus e estamos adorando”. William Kelly também foi visto em uma discussão acalorada com outro indivíduo durante a confusão. Em um vídeo divulgado anteriormente, Levy Armstrong questionou a atuação do pastor, argumentando a incompatibilidade entre sua função religiosa e sua suposta liderança no ICE, declarando: “Como você ousa afirmar ser um pastor de Deus e está envolvido com o mal em nossa comunidade?”


