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sábado, 21 fevereiro 2026

Otoni de Paula Expõe Crise no Meio Evangélico: “Bolsonarismo Sequestrou a Fé e Distorceu Valores Cristãos”

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Otoni de Paula critica fanatismo e acusa bolsonarismo de distorcer valores cristãos

O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), pastor da Assembleia de Deus e membro da Frente Parlamentar Evangélica, rompeu publicamente com o campo bolsonarista e denunciou o que chamou de um **”sequestro emocional e espiritual”** das igrejas evangélicas nos últimos anos. As declarações foram feitas durante a série Conversas Difíceis, promovida pelo Instituto Humanitas360, em São Paulo.

Segundo o parlamentar, a politização extrema da fé provocou uma **ruptura nos valores cristãos**, com o bolsonarismo determinando uma guerra entre quem é de Deus e quem é do diabo. Ele relatou arrependimento por ter se tornado mais bolsonarista do que cristão, afirmando que está pagando um preço alto por essa mudança de perspectiva.

O debate, que teve como tema a relação entre política e religião no Brasil, contou com a participação da cineasta Petra Costa, diretora do documentário Apocalipse nos Trópicos, que serviu de base para a discussão sobre a influência do fundamentalismo evangélico no governo Bolsonaro. Otoni de Paula criticou a **captura das igrejas evangélicas por uma lógica de confronto político**.

Idolatria e Ódio: A Nova Face do Fundamentalismo Cristão, Segundo Otoni de Paula

Otoni de Paula afirmou que, a partir de 2018, o bolsonarismo promoveu um **”sequestro mental, emocional e quase espiritual”** nas igrejas evangélicas, instalando um princípio de ódio que, segundo ele, nunca foi característico da fé cristã. Ele lamentou ver homens sendo glorificados nos templos em vez de Jesus Cristo, classificando a situação como **”muito grave”**.

O deputado também criticou a **idolatria política** dentro dos templos, considerando o grito de “mito” um sinal gravíssimo. Para ele, há um choque entre o que Cristo pregou e o que o fundamentalismo cristão tem pregado, defendendo que a fé não deve ser instrumentalizada para exclusão ou guerra cultural.

Respeito às Diferenças e Críticas a Lideranças Religiosas

Otoni de Paula defendeu um discurso de **respeito às diferenças comportamentais**, contrastando com a visão fundamentalista que não admite o amor entre pessoas do mesmo sexo e a constituição de família. Ele ressaltou que o cristianismo respeita a diferença e que é preciso respeitar a verdade do outro antes de pregar.

O parlamentar também reconheceu manifestações religiosas de matriz africana como expressão cultural e criticou diretamente lideranças religiosas com forte presença política. Silas Malafaia foi citado como um exemplo de líder **”movido por interesses pessoais que são vendidos como interesses de Deus”**.

Tolerância Institucional e Distanciamento do Bolsonarismo

Em relação ao cenário político nacional, Otoni de Paula defendeu a **tolerância institucional e o respeito às autoridades eleitas**. Ele argumentou que, se toda autoridade vem de Deus, o mesmo que permitiu Bolsonaro ser presidente permitiu Lula, e que é preciso orar por ambos.

O deputado tem **revisado publicamente sua trajetória política** e reforçado o distanciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem apoiou no passado. Otoni declarou arrependimento por ter chamado Bolsonaro de “mito” e afirmou preferir **”andar sozinho do que mal acompanhado”**, considerando o bolsonarismo uma vertente radical que se sobrepôs a um conservadorismo mais amplo.

Revisão de Trajetória e Hostilização no Meio Religioso

Apesar das críticas, Otoni de Paula mantém sua identificação como conservador, mas sem vínculo com o núcleo radical associado ao ex-presidente. Ele relatou ter sido **hostilizado por colegas da Frente Parlamentar Evangélica** após se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e orar pelo chefe do Executivo no Palácio do Planalto.

Patrícia Villela Marino, presidente do Instituto Humanitas360, abriu o evento destacando a proposta do projeto de enfrentar temas sensíveis através do diálogo, com o objetivo de seguir na luta pelo maior mandamento bíblico: amar. Petra Costa, por sua vez, alertou para os riscos da **aproximação excessiva entre religião e poder político**, considerando inadequado defender em quem votar dentro da igreja.

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