Israelenses e palestinos, que reataram suas negociações de paz, ficarão de novo apenas nas boas intenções e em meio à cruel realidade quando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, concluir hoje sua primeira visita à região como chefe de Estado americano.
Bush, que em 2003 retomou a idéia de resolver a centenária disputa entre judeus e árabes através da fórmula de “dois Estados” na Palestina, disse em sua visita que não imporá uma solução para o conflito, e que isso só pode ser alcançado entre as duas partes.
O chefe de Estado americano, que hoje se reuniu com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, na Muqata de Ramala, fez esse esclarecimento ontem em entrevista coletiva realizada com o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, em Jerusalém.
Enquanto manifestantes ateavam fogo a bonecos de Bush e de Olmert e queimavam bandeiras dos EUA e de Israel, o presidente americano disse em Jerusalém que “o melhor para vencer a ideologia do ódio, que mata inocentes para alcançar seus objetivos, é a ideologia da esperança”.
Israel, invocando suas necessidades de segurança, continua operando com seu Exército na Cisjordânia – onde Abbas deseja criar um Estado palestino – e em Gaza, governado pelo movimento islâmico Hamas.
Na Faixa de Gaza, que faria parte do novo Estado palestino independente, milicianos do Hamas continuam disparando foguetes contra civis israelenses.
“Não haverá paz se houver terrorismo”, declarou Olmert aos jornalistas. Bush concordou com o premiê israelense e disse que perguntaria hoje a Abbas “o que ele está pensando fazer” sobre os ataques de Gaza, sob domínio do Hamas, que não reconhece o Estado judeu e não aceita negociar.
Os palestinos pediram hoje a Bush em Ramala para que ele “pressione” Olmert a retirar, pelo menos, os “assentamentos ilegais” da Cisjordânia e que exija dele o veto da ampliação das colônias estabelecidas desde a guerra de 1967.
Bush não fez cobranças apenas a Olmert; deu razão aos palestinos em suas reivindicações para acabar com os assentamentos judeus, medida a que os colonos se opõem. Durante a visita do presidente americano, o Governo israelense autorizou a montagem dos alicerces de dez novos assentamentos.
Esses são apenas alguns exemplos das dificuldades com as quais Abbas e Olmert se deparam. Os dois chefes de Governo decidiram tentar destravar sua negociação bilateral – parada por sete anos – na Conferência de Annapolis, organizada por Bush.
O processo de paz, que começou com a Conferência de Madri, em 1991, e continuou em 1993 com os Acordos de Oslo, quando houve o reconhecimento mútuo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), já leva 16 anos com altos e baixos e deixou milhares de mortos.
Annapolis foi, nesse longo percurso, um novo ponto de partida que, pelo menos por enquanto, não conteve a espiral de violência e que, segundo os mais otimistas, também não amenizará o conflito a curto e médio prazo, apesar da primeira visita de Bush à região como líder da maior potência mundial.
Fonte: EFE
